Na conta do custo Brasil Imprimir
Ter, 13 de Novembro de 2012 07:27

Valor da operação no país preocupa prestadoras de serviços de perfuração, após recente batalha judicial enfrentada pela Transocean.

A crescente alta do custo de operação no Brasil tem tirado o sono de pequenos, médios e grandes prestadores de serviço, sobretudo daqueles que atuam no aquecido segmento de perfuração offshore. De quebra, coloca em xeque a atratividade do país em relação a outros polos de petróleo. A avaliação de técnicos e executivos do setor é de que nunca foi tão caro operar aqui.

Segundo levantamento feito com empresas de perfuração que atuam no país, o custo total de operação de uma unidade de águas ultraprofundas de última geração no Brasil é superior a US$ 200 mil por dia, chegando a atingir US$ 220 mil diários, valores bem maiores que as médias do exterior. Há cerca de quatro anos, o custo de operação de unidades desse porte rondava US$ 100 mil/dia.

O consenso no mercado é que, nos últimos quatro anos, o custo de pessoal mais que dobrou.

Isso sem que as empresas estivessem preparadas para esse boom, já que muitos contratos foram firmados antes dessa alta, em 2007 e 2008.

Na avaliação do banco de investimentos Pareto, o custo de operar no Brasil em outubro de 2011 já superava os valores registrados na Noruega. Mesmo com as empresas sendo obrigadas a adotar no país europeu uma tripulação a mais, por conta do regime diferenciado de contratação, imposto pelas normas locais.

Entretanto, o alerta sobre a alta do custo no Brasil foi dado por algumas empresas americanas de perfuração antes mesmo de 2008. Algumas companhias chegaram a publicar em seus sites que seus custos diários de operação no Golfo do México eram US$ 40 mil a US$ 50 mil inferiores aos daqui.

No atual cenário a situação é ainda mais discrepante. Hoje, para que uma companhia possa operar no Brasil tendo o mesmo retorno do Golfo do México, é necessário que o contrato assegure uma taxa diária US$ 60 mil mais alta. Na prática, porém, o que se vê é justamente o contrário, pelo menos quando o contratante é a Petrobras.

Garantindo contratos de afretamento com prazos maiores – o tempo médio de vigência dos aluguéis é de cinco anos –, a petroleira tem conseguido taxas cada vez menores, sempre abaixo das praticadas no mercado internacional.

É fato que o Brasil não está sozinho nessa avalanche de crescimento dos custos operacionais. A costa africana também tem protagonizado altas expressivas, ainda que não superiores às daqui.

Por isso, a costa africana tem sido grande concorrente da Petrobras. Não somente para os prestadores de serviço internacionais como também para as empresas brasileiras.

O caso mais recente desse novo cenário é a decisão da brasileira Petroserv de enveredar pelo mercado internacional. A companhia firmou contrato de operação em Angola, com a sonda SSV Catarina.

Fonte: Revista Brasil Energia

 
 

Login Form