PetroRio licencia campanha de perfuração na Foz do Amazonas

A PetroRio iniciou o licenciamento de uma campanha para perfuração de até três poços exploratórios na área do bloco FZA-539, na Bacia da Foz do Amazonas. A empresa pretende utilizar um navio-sonda com posicionamento dinâmico para a campanha de perfuração, que terá poços em lâmina d’água rasa de 200 m.

De acordo com a PetroRio, neste bloco, dois poços (1-APS-10B e 3-PP-1-APS) já haviam sido perfurados pela Petrobrás na década de 70, tendo descoberto uma acumulação de gás, considerado sub-comercial na época. Os novos poços da empresa pretendem confirmar a presença de hidrocarboneto e determinar a extensão desta acumulação.

A PetroRio licencia também na região um projeto para aquisição de dados sísmicos 3D proprietários na ára do bloco exploratório FZA-M-539, na Bacia da Foz do Amazonas. Em recente entrevista exclusiva à E&P Brasil, o CEO da PetroRio, Nelson Tanure Filho, afirmou que a uma licitação para a contratação da campanha será lançada em breve.

A campanha da PetroRio na Foz prevê a aquisição de 1.536 km2 de dados durante um período que deve variar entre 22 e 25 dias. A expectativa da empresa é iniciar a aquisição em meados do próximo ano. O Porto de Belém será utilizado como base de apoio para a campanha.

O bloco FZA-M-539, arrematado na 11a rodada da ANP pela Brasoil, entrou no portfólio da empresa depois que a PetroRio comprou 100% do capital da Brasoil, operação concluída em março deste ano.

Com o pedido de licenciamento para a perfuração de poços na Foz do Amazonas a PetroRio entra no rol de empresas que lutam para realizar campanhas exploratórias na região. Em maio, o Ibama concluiu no Parecer Técnico, n° 73/2018-COEXP/CGMAC/DILIC,  que pendências e incertezas identificadas no licenciamento ambiental para exploração de petróleo e gás na região impedem a continuação do licenciamento pela  Total. No Parecer Técnico do Ibama (n° 72/2018-COEX/CGMAC/DILIC), o órgão ambiental aponta o Estudo Ambiental de Caráter Regional da Bacia da Foz do Amazonas, elaborado pelas empresas Total, BP e Queiroz Galvão, apresenta “lacunas e incongruências que inviabilizam a sua aprovação”.  “São necessárias informações e esclarecimentos dos empreendedores sobre os meios físico e biótico”, diz o documento.

O parecer sobre a campanha de perfuração da Total também indica que a empresa teve dificuldade “em apresentar um Plano de Emergência Individual (PEI) satisfatório”, o que é apontado como um dos impeditivos para a liberação da licença, além da ausência de acordo bilateral entre Brasil e França relacionado a ocorrências que envolvam derramamento de óleo. As empresas ainda podem complementar os estudos, mas saga para licenciar os projetos continuam.

Os processos de licenciamento para projetos de perfuração na Foz do Amazonas são acompanhados por organizações de preservação ambiental, entre elas o Greenpeace, devido à descoberta de uma enorme área – de ao menos 9,5 quilômetros quadrados – dominada por um raro recife de corais, capaz de sobreviver nas águas turvas do Amazonas. No começo do ano, a ONG iniciou uma campanha de mobilização contra a exploração de petróleo na região intitulada “defenda os corais da Amazônia”.

Em março, a mineradora BHP desistiu da concessão de duas áreas exploratórias que havia arrematado na região. A empresa devolveu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) a concessão dos blocos exploratórios FZA-M-257 e FZA-M-324, em águas rasas da Foz do Amazonas, arrematados por mais de R$ 30 milhões. A desistência da mineradora deixou cinco empresas com atividade exploratória na região: Total, BP, QGEP, PetroRio e Ecopetrol. A francesa total continua sendo a empresa com o maior interesse na bacia, com cinco blocos exploratórios.

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