DESCOMISSIONAMENTO

A Indústria de Construção naval e Offshore está em busca de novas oportunidades em face da crise que afeta nosso País. Os Estaleiros, no momento, estão com ociosidade por causa de ausência de demandas de construção. Assim sendo duas atividades surgem no horizonte: Reparos Navais e Descomissionamentos. Vamos abordar este último assunto que é novo para o mercado brasileiro, e que ainda carece de ajustes. O descomissionamento pode ser de embarcações inservíveis ou de plataformas em fim de ciclo.

O descomissionamento de embarcações inservíveis, também denominado de desmonte ou desmantelamento, está em vias de criar um padrão de trabalho, através do Comitê coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o SINAVAL e as Centrais Sindicais, com as presenças de Estaleiros, TRANSPETRO, MARINHA e PETROBRAS, especialmente pela simplificação da NR 34 da Construção Naval e Offshore e Reparos Navais, visando a atividade de desmonte de embarcações.

No mundo desmantela-se cerca mais de 600 embarcações por ano, sendo 50% de médio a grande porte, e 75% dos casos estas atividades ocorrem no eixo CHINA, ÍNDIA, PAQUISTÃO, TURQUIA, BANGLADESH, porém, sem o devido respeito a responsabilidade social e ao meio ambiente.

Mas este quadro vem se alterando em face das exigências da União Europeia e das Convenções e Diretrizes da IMO (Convenção de Hong Kong), entre outros Acordos e Convenções Internacionais. O grupo brasileiro que trata deste assunto entende que este é o momento para os ajustes da Norma NR 34, adaptando-a para as atividades de desmonte através de anexo a citada Norma. No Brasil estimam-se que cerca de 150 navios de vários portes estariam aptos para o desmonte e outros 100 estariam fora de seu ciclo nos próximos três a cinco anos.

Já no descomissionamento de plataformas, as Operadoras de Petróleo e Gás já vem atuando nesta atividade tanto no Golfo do México, na África, Ásia quanto no Mar do Norte. O Golfo do México com 6.000 estruturas de petróleo e gás em operação e cerca de 40.000 poços já perfurados, 400 plataformas já foram descomissionados. Em 2015 foram gastos U$ 2,4 bilhões em atividades de descomissionamento somente no Golfo do México, segundo o relatório do OFFSHORE DECOMISSIONING STUDY REPORT.

No Brasil há grupos de estudos envolvendo ANP, IBAMA, MARINHA, PETROBRAS e outras operadoras do setor, universidades tais como UFF (CESS) e UFRJ (COPPE) estudando o assunto tendo como base a Resolução ANP 27/2006 que trata da desativação de instalações. Existem variáveis importantes a serem definidas e estruturadas, tais como os aspectos ambientais, os tecnológicos, sociais e os econômico-financeiros.

Existem no Brasil cerca de 150 Plataformas Offshore, das quais mais de 75 possuem mais de 25 anos de operação. Cerca de 11 a 15% destas unidades deverão estar em situação de estudos para descomissionamento no período 2017-2020, pois há sistemas que já alcançaram a sua vida útil.

Fonte: SOBENA

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